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sexta-feira, 12 de junho de 2009

NOVAS POSSIBILIDADES SURGEM NO RAMO DA COMUNICAÇÃO


Texto: Simone Moreira (7º período) / Zaira Costa (6º período)

Truma Jornalismo Digital




As novas tecnologias estão transformando a forma como nos comunicamos no mundo, porém, é preciso rever como estamos aproveitando este novo momento da comunicação, no qual o acesso às informações foi otimizado através da mediação proporcionada pelas ferramentas da web 2.0: Orkut, Youtube e, claro Twitter, dentre outras. As pesquisas sobre as técnicas e linguagens para site ainda são novas, mas, o brasileiro Bruno Rodrigues já vislumbrava, no fim do século passado, o surgimento de um novo profissional: o webwriter.

Segundo Bruno, o termo “
webwriting” não pode ser compreendido como redação on line, e sim como gestão da informação, ou seja, a capacidade de disponibilizá-la entre as várias camadas de site e em diversos formatos (vídeo, áudio e flashes, por exemplo). Esta atividade estaria ligada à persuasão do usuário, para que este continue sua navegação pelo site.

Pioneiro de webwriting no Brasil, Bruno Rodrigues viu sua vida mudar a partir de 1995, após começar a pesquisar sobre a forma como os textos em site eram escritos. Percebendo a necessidade de uma nova forma de linguagem que atendesse ao usuário de internet, tornou-se uma referência para profissionais da área de comunicação, informática e marketing.

Nesta época, a Petrobras procurava um profissional capacitado para gerenciar a reformulação do conteúdo de seu site. Bruno teve seu nome indicado e, até hoje, atua naquela empresa como consultor digital.

Pesquisador da área e com artigos publicados em sua coluna na revista digital Webworld, Bruno, publicou o livro
Webwriting – Redação e Informação para a web, a primeira obra em língua portuguesa e a terceira no mundo sobre redação e informação para web. E não parou por aí: em 2006, publicou a segunda edição de Webwriting, em edição revista e atualizada, que trata sobre os tipos de informação disponíveis na internet. Atualmente, ele escreve para a Webinsider, para a Revista 'WebDesign, para o site Jornalistas da Web e para o seu blog Cebol@. Para obter mais informações sobre esta nova tendência do jornalismo on line, o Jiló Campus realizou uma entrevista com Bruno Rodrigues.


Bruno Rodrigues - Consultor de Informação e Comunicação Digital


JILÓ CAMPUS: O que te motivou a pesquisar as técnicas e linguagens para a web?
BRUNO RODRIGUES:
Comunicação é como se fosse um caldeirão onde você vai acrescentando um monte de coisas ao longo de décadas. Cada mídia vai acrescentando alguma coisa no que diz respeito à informação. Em 2000, eu já trabalhava há cinco anos com o que já começavam a chamar de mídia digital. Então, como eu já escrevia uma coluna mensal sobre esse assunto há quase dois anos, achei que estava na hora de escrever um livro mesmo. Agora o porquê da pesquisa tem tudo a ver com a coluna, que era o resultado das minhas pesquisas anteriores e das minhas opiniões sobre este universo de informações que é a mídia digital. Eu sentia que aquilo era uma coisa nova que com certeza iria modificar a área da Comunicação, aliás, já estava modificando. Quando comecei a escrever o livro em 1999, eu sentia que a internet tinha chegado pra ficar, coisa que, em 1995, ninguém sabia se ia ou não dar certo. Nesta época, muita gente acreditava que a internet era uma novidade que, como tantas outras, não iria adiante, o que, de fato, não aconteceu. Como a internet já estava ficando sólida, eu vi que já dava pra fundamentar o que eu já havia pesquisado. Foi uma surpresa muito grande, pois eu comecei a escrever coluna estruturando a minha opinião e a pesquisa que eu tinha e acabei recebendo um retorno muito bom. Pessoas do país inteiro me enviavam e-mails perguntando o que era webwriter. E por conta disso, percebi que já estava na hora de começar escrever um livro.

JILÓ: E não existia nenhuma publicação até então sobre isso?
BR:
Nenhum tipo de publicação. Somente depois outras pessoas começaram a analisar e pesquisar para ver o que realmente era. Ser um webwriter é mais do que escrever para a web, mas todo mundo associa o termo webwriter à redação para a web. Hoje em dia não é mais isso porém, nos anos 2000, 2001, você poderia dizer que era uma escrita feita de uma maneira nova, para a mídia digital. A convergência de mídias demorou alguns anos para acontecer, esta coisa de você acessar a web e ter todos os formatos (áudio, vídeo, animação e texto). Então, ser webwriter hoje em dia é você saber lidar com estes vários formatos de informação e saber como distribuir esta informação ao longo das telas.



“Os jornalistas estão caindo na mesma armadilha de cinquenta anos atrás, que é conectar a atividade jornalística à técnica de forma exagerada. O jornalismo é mais que isso”


JILÓ: Como você lida com estas novas ferramentas?
BR:
Qualquer tecnologia de comunicação é mais um degrau dentro de uma escadaria maior chamada Comunicação. Acho um erro encarar cada um desses degraus como se fosse um degrau definitivo. Não é por ser uma escadaria que os degraus que ficam para trás devam ser simplesmente ultrapassados, desprezados. Acho que qualquer coisa que acontece dentro da tecnologia da comunicação não é revolução, mas uma evolução. Existe um perigo na tecnologia da comunicação que é você desconhecer às vezes porque as coisas são feitas, as ferramentas existem para serem usadas, mas sem exagero. A energia nuclear, por exemplo, pode ser usada para iluminar uma metrópole ou destruir um país inteiro. Então, não é só a tecnologia pela tecnologia, e o que falta um pouco no mercado digital é esta visão crítica: não olhar a tecnologia deslumbrado o tempo todo.


JILÓ: E seria esta a razão da resistência por parte de tantos profissionais em relação ao jornalismo on line?
BR:
Resistência ao jornalismo on line era um assunto que tinha um pouco de mérito há uns três anos atrás. O que acontece hoje é que os jornalistas estão de um lado e as empresas jornalísticas de outro, no sentido de que estas empresas estão passando por um tormento muito grande. Eu acredito que os jornais impressos não vão acabar em 2010 ou 2015, mas não sei se em 2060 a regra vai ser o jornal impresso, mas talvez em 2100 o último jornal impresso saia da face do planeta.


JILÓ: Mas alguns jornais já fecharam as suas redações tradicionais para manter somente o conteúdo on line.


BR: Eu acredito que o que mudou um pouco de uns três anos para cá. Foi que alguns jornalistas perceberam que o jornalismo está acima da mídia, sendo uma atividade que é maior que o digital ou o impresso. Esta concepção ficou abandonada durante muito tempo. Agora, devido ao que está acontecendo com os impressos, os jornalistas estão começando a voltar a entender o que é jornalismo.


“Existe um perigo na tecnologia da comunicação que é você desconhecer porque as coisas são feitas, as ferramentas existem para serem usadas, mas sem exagero"


JILÓ: Em sua opinião, qual a realidade atual do mercado brasileiro em relação ao jornalismo on line?
BR:
O mercado oferece muitas possibilidades. Você pode trabalhar num portal, numa intranet de empresa. O importante é que os profissionais comecem a olhar isso com um pouco de interesse, deixando um pouco de lado aquela ideia romântica de atuar em redação, rádio, televisão e revista.

JILÓ: Então, para você, o jornalismo está sofrendo mudanças decorrentes das novas tecnologias. Dentro deste contexto, o que seria necessário que os jornalistas “desaprendessem”?
BR:
Desaprender significa perceber que o jornalismo não pode estar relacionado a uma mídia, e aí resgatar os conceitos sobre a comunicação, sobre o que é informação, o que é jornalismo. Aqueles assuntos que você estuda em Teoria da Comunicação I e II e que acaba deixando de lado muitas vezes. Para mim, a criatividade do futuro está ligada a este entendimento, ao retorno ao Universo da Comunicação.

JILÓ: O jornalista deve aproveitar as possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias e adaptar-se a elas?
BR:
Mais uma vez, os jornalistas estão caindo na mesma armadilha de cinquenta anos atrás, que é conectar a atividade jornalística à técnica de forma exagerada. Deve-se pôr a tecnologia de um lado e o domínio da técnica do outro. O jornalismo é mais que isso. Se o jornalismo on line for encarado por dominar técnicas de áudio, vídeo, etc., o que vai acabar acontecendo é o que muitos hoje já reclamam: vocês vão receber um salário para lidar com todos estes formatos de informação, quando deveriam receber um salário quatro vezes maior.


“Ao estudante de jornalismo geralmente não é ensinado que ele deve ter opinião”





JILÓ: O que você espera do jornalista do futuro?
BR:
A palavra chave é opinião. Acho que o jornalista tem que aprender que ele não pode ser mais um instrumento de alguma coisa. Ele pensa, tem uma opinião sobre o fato jornalístico. Ao estudante de jornalismo geralmente não é ensinado que ele deve ter opinião. Alguns blogs de jornalistas que existem hoje são patrocinados porque existe opinião. Isso não é ensinado nas faculdades, mas seria necessário que se ensinasse ao estudante que ele deve ter opinião antes de fazer um blog, para que este blog não fique repetindo informações que qualquer pessoa encontrar em qualquer outro blog. È a sua opinião que vai fazer com que eu me registre, leia e até pague para acessar o seu blog.

JILÓ: Que conselho você daria aos futuros jornalistas?
BR:
Acho importante que eles compreendam, a princípio, que o jornalismo não é jornal ou redação. Hoje todo mundo sabe que jornal paga muitíssimo mal, e atualmente temos jornalismo na web, que não se resume às versões on line dos jornais ou revistas, mas perceber que você pode lidar com conteúdo em sites de entretenimento, empresas ou comércio eletrônico. Tudo isto é atividade jornalística. Eles devem estar atentos também para outras mídias como a televisão (o que não significa atuar somente como apresentador) e para a comunicação empresarial, que também oferece boas oportunidades.

PRINT X SCREEM: SERÁ O FIM DO IMPRESSO?


Diante de tantas especulações sobre o fim do jornal impresso e o avanço das novas tecnologias, o JILÓ foi na fonte para saber se estamos falando de um mito ou uma verdade.

Texto: Mariana Cazeiro (5º Período) / Renata Trindade (5º Período)
Jornalismo Digital



Estamos em um novo tempo, com novas mídias surgindo praticamente na velocidade da luz. Diante de tantos avanços, vemos algumas mídias, como a impressa, ficar um pouco para escanteio nessa nova realidade. Para muitos especialistas o jornal impresso estará em circulação em um curto período, para outros, essa mídia sobreviverá junto com as novas. Para tentarmos entender um pouco desse mundo do jornalismo digital, em que estamos imersos, entrevistamos Erick Felinto, que é jornalista, mestre em Comunicação e Cultura (ECO/UFRJ), doutor em Literatura Comparada (UERJ) e especialista em Literaturas e Línguas Neolatinas (UCLA). Felinto é autor de diversos textos com publicações nacionais e internacionais sobre cibercultura, teoria da comunicação, cinema e literatura. Desde 2004 é coordenador do mestrado em Comunicação Social da UERJ, onde desenvolve pesquisas sobre o imaginário da cibercultura e as relações entre cinema e tecnologias digitais. Antes que muitos resolvam escrever o obituário do jornal, precisamos analisar os prós e contras desta questão e quem sabe até os jornais encontrem um caminho para sobrevivência. Confira nossa entrevista com Erick Felinto.




Erick Felinto


JILÓ - Existe alguma preocupação por parte dos profissionais de mídias digitais em relação a benefícios para o meio empresarial e para os usuários?
Erick Felinto -
Temos várias questões. Uma delas, talvez a mais simples, seja a transposição da mesma mensagem através de suportes diferentes: papel e eletrônico. Um caso interessante que podemos citar é esse equipamento que foi lançado pela
Amazon - o "Kingdom" - que é um livro eletrônico, uma espécie de placa como um laptop fino só para leitura de livro. A estrutura é basicamente de um livro impresso, só passa para outro tipo de suporte. Muita gente acha que não vai dar muito certo, não tem ainda resultados muito animadores em relação a isso porque não tem muito sentido você pegar uma estrutura gráfica, por exemplo, uma mensagem, e transportar para outro meio e não pensar nas singularidades desse meio e de que forma essas singularidades vão afetar essa mensagem. No caso do jornalismo online existem muitos jornais online que fazem muito pouco além de reproduzir aquilo que se tem no papel ao invés de explorar toda uma série de dimensões da tecnologia eletrônica, a internet, o hipertexto. Do ponto de vista empresarial, há vários aspectos interessantes, como por exemplo, a economia que você tem quando se abandona o suporte de papel e passa para um meio não material. Outra coisa interessante é a economia de uma empresa jornalística que passa a usar o próprio trabalho de leitores. Por exemplo, O Globo, quando abre uma coluna "A reportagem do leitor". Por um lado, é interessante para eles, mas é claro que o leitor não vai suplantar o repórter, mas nessa coisa da cultura participativa, da informática estimular que os consumidores sejam produtores de conteúdo, tem um lado que as empresas podem explorar, do ponto de vista capitalista, bem objetivamente de se apropriar do serviço e da mão de obra gratuita que é o leitor fazendo reportagem para o jornal.


"Na verdade, todas as mídias, de certa forma estão sempre se apropriando das gramáticas das anteriores. Isso é uma coisa que McLuhan, em certo sentido já identificava, lá nos anos 60, 70, quando falava nessa idéia de remediação”.


JILÓ - Existem soluções dos cientistas e pesquisadores de novas mídias em acabar com a exclusão digital? Por exemplo: em 2006 houve uma possibilidade de vendas de laptop a 150 dólares. Este projeto de um cientista norte-americano, que esteve no Brasil, apresentou a proposta ao presidente da República. Hoje em dia, porém, não se ouve mais falar disso. Já existem outras soluções para a inclusão digital no país?
EF -
Me parece que esse governo tem certa preocupação com a superação desse "gap", desse abismo digital no sentido de, por exemplo, oferecer às escolas públicas computadores com acesso à Internet, pegar a orla de
Copacabana e colocar acesso wireless, são todas tentativas de superar essa barreira digital. Em um país, onde você já tem uma série de outras barreiras econômicas, as pessoas têm pouquíssimo acesso à informação. É a televisão que funciona como um formador cultural no Brasil. Hoje você vai à favela e todo mundo tem televisão. É um elemento importante. Em relação às tecnologias digitais, a Internet, que tem um nível e relação com usuário diferente, a TV é muito passiva. Nesse modelo que a gente conhece hoje, o digital, isso exige certa educação para utilização dessas mídias. Uma coisa que não existe no Brasil é a educação para a mídia. Digo no sentido de ensinar as pessoas como usar essas tecnologias e inclusive como produzir um conteúdo para as mídias, no sentido de ter uma participação mais ativa, uma forma de comunicação comunitária se manifestando nessas possibilidades abertas pelas mídias digitais. Isso é o que ainda falta, além da dimensão propriamente econômica do acesso material a esses meios. Falta, também, uma preocupação de uma educação para a mídia que eu acho que a gente ainda não tem um projeto muito definido em relação a isso.


JILÓ - O que é o e-paper? Como foi desenvolvida essa mídia e como está sendo veiculada no exterior?
EF - Não saberia dizer quem desenvolveu e não se pode chamar bem de uma tecnologia. É um sistema que imita o papel numa tela de computador. É aí que eu falo que não é tão interessante você pegar as características de um suporte e simplesmente adaptar para outro que você já está acostumado a fazer como uma mídia tradicional. Na verdade, todas as mídias de certa forma estão sempre se apropriando das gramáticas das anteriores. Isso é uma coisa que o
McLuhan, em certo sentido já identificava, lá nos anos 60, 70, quando falava nessa ideia de remediação como uma mídia vem e toma posse de aspectos, linguagens e gramáticas das mídias anteriores. O cinema pegou o rádio, que pegou o teatro, que pegou a literatura, enfim, isso remediou aspectos nas mídias. O computador pega tudo isso: você tem texto, imagem, etc. O e-paper é interessante porque é fácil para o usuário lidar com aquilo porque lembra a ele a estrutura de uma mídia anterior - o papel - mas de repente explora poucos, as potencialidades novas, que esse suporte digital traz.


“O livro a gente já tem um relacionamento muito afetivo: o tato, a sensação de folhear, cheirar o livro. Ainda hoje é uma experiência forte que o digital não suplantou”.


JILÓ - Você tem ideia de como está a aceitação desse e-paper no exterior? Na Bélgica já tem jornal que não é mais impresso como uma experiência para os leitores estarem experimentando esse e-paper.
EF -
Não sei se tem pesquisa sobre isso, mas o e-paper também não é a única estratégia. O jornal digital tem vários jornais online que não seguem esse modelo do e-paper, inclusive mais criativos no sentido de explorarem mais as potencialidades dessa nova mídia. É um modelo, por exemplo, que encontramos no
O Globo ou no JB, que, na internet, você vai no jornal online e eles fazem uma estrutura igual ao do jornal impresso permitindo que você vire a página. Agora, não sei se você fala do jornal eletrônico que está em andamento. Já existem várias tecnologias flexíveis de você dobrar uma tela de LCD finíssima ou de outro materiais que permitam esse tipo de coisa. Diria que ainda é uma coisa muito incipiente nesse ponto, me parece que ainda é caro a tecnologia para produzir esse tipo de recurso, eu não sei quando e se vai se tornar o ponto do papel desaparecer. Pode ser, mas por enquanto é tudo hipótese.


JILÓ - Chega a ser uma ameaça?
EF -
Existe a questão dos recursos naturais também. A gente não sabe até quando vamos ter essa matéria prima. Mas o livro a gente já tem um relacionamento muito afetivo: o tato, a sensação de folhear, cheirar o livro. Ainda hoje é uma experiência forte que o digital não suplantou, então não é a mesma coisa de você estar com o Kigdom da Amazon para ler um livro e você estarem com o livro. É claro que é muito mais pesado. No Kingdom você pode botar mil livros pois existem essas facilidades.
JILÓ - Você acredita que o e-paper é uma mídia convergente entre a TV e o computador? Por exemplo, a foto normalmente é estática, mas no e-paper você tem movimento do vídeo.
EF - Eu acho que a tendência do futuro é realmente que as telas tomem conta de todo o ambiente. A gente está vivendo em um ambiente cada vez mais midiatizado. Ao invés de outdoors, você vai na Broadway, por exemplo, em Nova York e você vê aqueles gigantescos outdoors com filmes passando o tempo todo. Isso é um sonho, que para mim, na ficção científica você vê filmes com telas, a cidade toda com telas. É uma tendência, a gente tem tela no celular, a tela do computador, em toda parte.


“O próprio público também não se acomoda imediatamente à gramática de uma nova mídia. É um processo de adaptação”.

JILÓ - Voltando ao assunto da incorporação do jornalismo impresso no digital, seria possível um entendimento entre o departamento comercial versus a redação editorial? Pois na internet pode ser publicado tudo.
EF -
Não sei se entendimento seria melhor palavra porque a verdade é que há sempre uma pressão econômica, do poder econômico sob os jornais que não tem a ver só com a questão da tecnologia, mas também para determinar o que é notícia e o que não é notícia. As pautas dos jornais estão muito longe de serem exatamente um reflexo da realidade e da verdade do mundo. Elas têm determinações econômicas, têm determinações de poder, então, a única coisa que o digital traz de novo, nesse cenário, é uma série de outras possibilidades que o próprio ambiente capital pode usar também ao lado de experiências interessantes e libertárias como o espaço para os próprios usuários produzirem conteúdo. Todo mundo pode ter seus quinze minutos, no
Youtube, por exemplo.


JILÓ - Porque as empresas de comunicação demoraram tanto a dar importância e a investir nas mídias digitais?
EF -
Porque existe um movimento natural da sociedade, de acomodação, que esses processos evidentemente tomam certo tempo. As mídias e as grandes corporações têm certa lentidão que é inerente à sua estrutura. Por outro lado, o próprio público também não se acomoda imediatamente à gramática de uma nova mídia. É um processo de adaptação. Por exemplo, essa coisa do
Globo/JB pegar um jornal na Internet que você tem a folhinha que você vira, de certo sentido, é uma tentativa de oferecer a esse público algo com o qual ele já está acostumado, com uma linguagem anterior. É preciso certo período de acomodação dessas novas tecnologias. Eles demoraram, mas por outro lado eles têm ultimamente sabido explorar muito bem esses recursos das novas mídias. Quando você pega, por exemplo, a indústria do áudio visual, como Hollywood, essa noção da ficção transmidiática, por exemplo, no seriado Lost que você vê na televisão, aí tem o DVD que mostra aquilo que você não vê na televisão, aí tem o jogo para o celular, e você compra o livrinho do Lost, isso é a transmídia. A indústria está sabendo explorar isso de maneira bastante interessante, essa convergência midiática, essa possibilidade de você ter uma narrativa que se desdobra em vários meios diferentes está começando a mexer com isso de maneira interessante.


JILÓ - Você acredita que possa mudar o formato do jornal impresso, não diretamente para o e-paper, mas pode se transformar em tablóide como acontece na Inglaterra
EF -
É uma possibilidade, a diminuição do formato, versões diferentes para pessoas com interesses diferentes. Por exemplo, o cara que vai ler sobre cultura, de repente não está tão interessado em saber sobre economia. Então, ele pega o jornal que tenha uma parte de economia customizada. Será que dá para fazer com o jornalismo? Customizar significa promover uma adequação às necessidades do público de nicho, coisa que as mídias digitais também permitem com certa facilidade. Então, são possibilidades de você ter um jornal cada vez mais enxuto e voltado para públicos com interesses específicos.



JILÓ - Como você vê o jornalismo no futuro?
EF -
Hoje, principalmente no Brasil, a gente tem um grande debate sobre a questão da formação e do
diploma do jornalista. A profissão tem esse dilema da exigência do diploma, como vai ser a formação e agora, inclusive, tem a comissão do MEC que está estudando as diretrizes do ensino do jornalismo nas faculdades de comunicação. Até porque também está havendo uma reconfiguração no perfil do jornalista e o que eu sinto em relação ao futuro é que, sem dúvida, esse jornalista não vai ser uma figura técnica, ou seja, uma figura de "apertador de botão" ou de escritor de textos que têm lead, um modelo. O jornalismo do futuro me parece que vai ser cada vez mais multimidiático, cada vez mais participativo. Isso me parece que é uma tendência com essas mídias digitais que você tem sites e blogs onde a própria noção do jornalismo começa a se re-configurar. Isso tudo que vamos ter que pensar. A concepção moderna do jornalismo como lugar da verdade, o lugar de certo conhecimento especializado também entra um pouco em crise. Muita gente hoje, até de uma maneira, que você pode pensar que é interessante, questiona a questão do diploma perguntando qual é a habilidade específica do profissional de jornalismo nesse cenário em que você tem cada vez mais a possibilidade de pessoas produzirem, por exemplo, notícias que interessam às micro comunidades, um jornalismo cada vez mais setorizado, regional, porque as mídias digitais permitem essa segmentação. O jornalismo do futuro vai ser muito diferente do que a gente está acostumado a entender, da concepção moderna e vai ter essas características cada vez mais multimidiáticas e também, digamos assim, muito enxuto em termos de texto: aquele modelo do USA Today, uma coisa de consumo rápido. Muita informação em pouco tempo para você assimilar. Hoje em dia você tem acesso à Internet com uma capacidade absurda de informação, mas como você faz para peneirar essa informação? Quanto tempo você investe nisso?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

INOVAR PARA SOBREVIVER


No jornal Lance, Eduardo Tironi tem a missão de maner o conteúdo produzido pelo maior jornal esportivo do país como a cara do século 21. No cargo de editor-executivo de mídia digital, Tironi é responsável pela integração entre todas as plataformas de produção de conteúdo do Grupo Lance: o jornal impresso, o portal Lancenet, a TV Lance! e a Rádio L, a web rádio esportiva. Nessa sinergia, o repórter tem participação fundamental. É ele que, a partir de uma cobertura, vai produzir conteúdo para essas diferentes mídias. Para isso é necessário estar atualizado constantemente constante sobre o funcionamento dessas novas ferramentas de comunicação. Mas Tironi não para por aqui. Além de editor, ele também possui um blog onde fala sobre o futebol brasileiro e internacional.

A equipe de reportagem do Jiló Campus conversou com Eduardo Tironi, que explicou, entre outros assuntos, o que o mercado de trabalho espera do profissional recém-formado e como ele pode desenvolver seu conhecimento fora da universidade.





Texto: Camila Oliveira e João Henriques – Turma Jornalismo Digital

JILÓ CAMPUS: Como as novas ferramentas de comunicação alteram o conteúdo produzido pelas empresas jornalísticas?
EDUARDO TIRONI: As novas mídias (essencialmente a internet) mudaram o comportamento das redações em todos os aspectos. No aspecto editorial, os jornalistas e os jornais que mantém sites no ar tiveram que se adaptar a um novo sistema de trabalho, em que não há apenas um fechamento no final do dia, mas um processo contínuo de apuração durante todo o dia. No aspecto físico, muitas redações tiveram que criar uma mesa central de edição em que gravitam em torno dela as mesas das editorias. Muitas redações construíram estúdios de TV para web. Enfim, mudou-se o conceito de como se fazer notícia.


''Naturalmente, as pessoas mais velhas têm mais dificuldades com as novas tecnologias. Porém, esta é uma questão de sobrevivência no mercado''



JILÓ: Além da formação universitária, que tipo de capacitação o jovem jornalista deve buscar para se tornar um profissional multimídia?


TIRONI: Todo tipo de capacitação é importante para um jornalista. É fundamental que ele se especialize no assunto que quer cobrir, sempre.






JILÓ: E como a empresa jornalística pode trabalhar na capacitação de sua equipe de reportagem?
TIRONI: A empresa pode providenciar cursos, estágios bem trabalhados. Esta é a contribuição.


"A popularização das novas tecnologias obrigará os jornais a produzirem cada vez mais conteúdo multimídia com qualidade"


JILÓ: O jornalista mais experiente tem uma dificuldade maior para fazer uso das novas tecnologias?


TIRONI: Naturalmente, as pessoas mais velhas têm mais dificuldades com as novas tecnologias. Porém, esta é uma questão de sobrevivência no mercado. Todos devem estar atentos às novas plataformas de divulgação de informação, sempre.


JILÓ: A popularização dessas novas tecnologias muda o relacionamento do jornal (impresso ou virtual) com o leitor?


TIRONI: A popularização das novas tecnologias obrigará os jornais a produzirem cada vez mais conteúdo multimídia com qualidade. É uma questão de sobrevivência das empresas. Quem estacionar neste processo tende a desaparecer do mercado.